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Entrevistas com a banda

Fanzine PUTZ (Abril/99)

PUTZ - Resuma a história da banda...

MARCELO CAMELO - O Los Hermanos propriamente dito começou há mais ou menos um ano e meio, dois anos. A primeira formação da banda era: eu, (Marcelo Camelo), Rodrigo Barba (atual baterista), Victor Figueredo (baixista) que agora está infelizmente nos EUA estudando musica, Márcio no trompete, Carlos no saxofone, enfim mó galera... Não, peraí, a primeira formação foi o Felipe Abraão no baixo... Enfim, a banda mudou bastante e nesse começo só rolava ensaio, não tinha show e nem demo.

PUTZ - Quando aconteceu o primeiro show?

MARCELO CAMELO - Foi em dezembro de 97. Dia 12. Mas, continuando aquele outro assunto, a galera do sopro chegou a sair da banda e nesse tempo ajeitamos nosso som e depois voltou somente o Carlos. Nesse meio tempo, antes do show ainda, entrou o Bruno também no teclado, o que foi novidade pois ainda não tínhamos piano... Esse primeiro show foi também sem o Amarante que entrou na banda depois para fazer backing vocal. Com isso, no decorrer da banda a galera foi entrando, se encaixando, cada vez mais instrumentistas e daí o Amarante começou a tocar flauta transversa.

PUTZ - E o Superdemo ? Como foi tocar lá para vocês?

MARCELO CAMELO - Humm, depois do primeiro show rolaram vários outros. Os primeiros shows foram todos no Empório. Os 3 primeiros foram lá. Com o tempo fomos ganhando espaço na mídia e rolou o Superdemo que foi o primeiro grande show da banda e foi maravilhoso pela repercussão que teve.

PUTZ - Agora qual será o próximo grande show?

MARCELO CAMELO - Agora iremos tocar no Abril Pro Rock que é um festival de nome e vai ser bem importante para a história da banda. Esse festival vai ser o primeiro divisor de água da banda, depois do APR alguma coisa vai acabar mudando.

PUTZ - Esperamos que sim :) Curiosidade... voces são realmente românticos?

MARCELO CAMELO - Cada um da banda teria que te responder isso pessoalmente. Eu sei que eu sou. Mas o lance do romantismo na banda é uma parada meio que transcendente... o lance do amor, o amor relação homem mulher. O amor do Los Hermanos é uma maneira diferente de encarar a vida e eu particularmente que sou o letrista da banda tenho, e acredito que a maioria da banda também. É uma maneira mais suave, menos agressiva... O lance do HC está sempre muito associado à agressividade, violência física, raiva contra o sistema...

PUTZ - É uma maneira menos agressiva... Tá. Mais é bem sofridazinha e dolorosa né?

MARCELO CAMELO - Mas é uma maneira bem ou mal mais suave, é um lance de encarar as relações humanas de uma maneira mais madura. Não ter vergonha de assumir os seus sentimentos, não ter vergonha de dizer que você ama um amigo seu. Não ter vergonha de dizer que você dá uma flor para uma menina, que gosta de Roberto Carlos. Envolve um monte de coisa.

PUTZ - Você gosta de Roberto Carlos?

MARCELO CAMELO - Gosto, mas o Alex gosta mais. :)

PUTZ - TSSSSS...

MARCELO CAMELO - ... é um lance de não ter vergonha de assumir o que sente e não ter um compromisso com a rebeldia, que é uma característica muito marcante no rock'n'roll.

PUTZ - O que inspirou então você a fazer as letras?

MARCELO CAMELO - Uma grande mistura. Em primeiro lugar eu nunca me identifiquei com a temática rock. Nunca achei que fosse alguma coisa gritar para todo mundo que fuma maconha ou que comeu fulaninha e sicraninho... que nem os cantores andam fazendo. Com essa postura eu nunca me identifiquei, postura de rebeldia barata, esse lance de "Ah, eu sou um fudido e foda-se o mundo e vou xingar todo mundo também." Não me identifico com isso, minha visão é diferente.

PUTZ - Qual temática melhor encaixaria na de vocês?

MARCELO CAMELO - Eu comecei, um pouco que tardiamente, a ouvir samba, marchinha de carnaval, samba-canção... Comecei a gostar muito de sua temática e suas melodias. Isso é um lado que musicalmente e de história de vida, me influenciou. Por outro lado sempre gostei muito do Weezer. Que é influência maior... fodona e absoluta. Sempre gostei muito do Acabou La Tequila, de tudo que tem melodia bonita em geral. Desde musica regional de Pernambuco até cantiga de roda! Sempre gostei desse lance de cantiga que em marchinha tem muito, em musica de Pernambuco também... E, se você parar para ouvir e prestar atenção, todas as cantigas de roda falam de amor. Sempre gostei disso... Por isso que na verdade não teve uma razão só...

PUTZ - E o Noel Rosa? Tão citado como inspiração e relacionado à musica de vocês?

MARCELO CAMELO - Dessa galera de samba antigo, o cara que eu mais gosto e talvez o que tenha mais influenciado nas letras é realmente o Noel. Foi uma pessoa que revolucionou de certa forma a musica de sua época. Pode ser considerado o de maior influência dentro do samba na musica do Los Hermanos.

PUTZ - Amores à tona ... Qual foi a coisa mais romântica que já fez ? :)

MARCELO CAMELO - Não tenho nada assim para citar... Era como eu estava te falando, o lance do romantismo passa da relação que você tem com sua namorada é um lance mais de experiência de vida, da maneira que você vê a vida... Eu poderia por exemplo te falar que a coisa mais romântica que eu já fiz na vida foi chorar aos prantos quando o nosso baixista, que é uma das pessoas que eu mais amo na vida foi embora para os EUA... Poderia dizer que foi comprar o banzai que era o sonho da vida da minha namorada e dar para ela... Poderia falar que foi a minha briga com o Alex pelo telefone em que ficamos horas chorando e depois fizemos as pazes... Eu acho que o ser humano moderno em geral tem uma visão do romantismo muito limitada. Acha que o romântico é aquele que dá uma flor para sua namorada. É uma visão muito machista, associando o romantismo ao ato de entregar uma flor... Porque uma mulher não pode ser romântica?? Acontece... o carinha chega e fala que é romântico, logo pensam "Ele trata as mulheres com carinho." Isso é uma visão machista da jogada, ser romântico não é só isso, é tratar o mundo de uma maneira diferente.

PUTZ - Da onde veio toda sua carga musical? Onde e com quem começou a escutar o que você escuta?

MARCELO CAMELO - Bom, eu tenho uma família muito musical, então o lance da música sempre foi muito presente na minha vida. Porém a parte musical da minha família é muito cafona e eu particularmente detesto.

PUTZ - Uhauhauhauha. Tipo o que? :)

MARCELO CAMELO - Tipo Elis Regina que eu não suporto, acho irritante.

PUTZ - Que é isso...

MARCELO CAMELO - Não suporto Bossa Nova. Acho o pesadelo da musica. Quando eu era moleque, a galera da minha rua ouvia Ramones e eu não gostava ... aliás até hoje eu não gosto... daí eu ouvia Bon Jovi ... e, até hoje eu gosto dele. E até hoje quando eu falo isso as pessoas fazem essa cara feia que vocês fizeram ! :) Porém de qualquer maneira o Bon Jovi ainda vai ser perdoado e reconhecido como o grande compositor que é. Eu sempre me interessei pelas coisas que têm melodia e daí vem toda a história. De marchinha, de samba, de Weezer, de Acabou La Tequila, Wacky Kids... se tem alguma coisa em comum, é essa.

PUTZ - Vocês acham que o som de vocês é comercialmente viável?

MARCELO CAMELO - Bom, o mercado de rock no Brasil é meio maluco... Se você perguntasse para alguém em 90/92 se o Raimundos ia estourar, uma banda que toca um HardCore 1 por 1 e fala de putaria e maconha, entre 10 pessoas 9 iriam responder que você estava maluco. Se perguntasse o mesmo sobre o Planet Hemp que toca hip-hop e fala sobre maconha ia ter a mesma resposta. Não tem como prever isso legal. Ao mesmo tempo é um mercado muito ingrato. Conta-se no dedo as bandas de rock que estouraram no Brasil. É maior o número de bandas que estourou e durou apenas um verão. Isso também envolve muito, além da conjuntura do mercado, de como o mercado está funcionando agora, a competência da banda. Tem muita banda que é feita para durar um disco e acabou. Não tem mais nada de interessante para produzir. Nesse sentido confio pra KCT na gente. Nós temos competência para durar 10 discos que seja. Não pelo que a gente faz, mas pela cabeça da banda. Nossa cabeça é boa no sentido de evoluir sempre, nunca ficar parado. Se a banda é comercialmente viável não sou apto a responder.

PUTZ - E se você fosse um carinha de gravadora, apostaria na sua banda?

MARCELO CAMELO - Sim. A banda tem um potencial não pelo som, mas porque tem gancho, um porquê de existir, uma temática, um lance cenográfico bacana, já provou que ao longo de um ano e meio tocando que as pessoas que conhecem gostam e cantam as musicas. Apostaria na banda mas se ela vai estourar é impossível de saber.

PUTZ - Foram quantos shows até agora ?

MARCELO CAMELO - 32 shows.

PUTZ - E o que o Los Hermanos está tramando agora? O cd vai sair mesmo?

MARCELO CAMELO - Recebemos algumas propostas para lançar cd independente. Só que achamos que antes do Abril Pro Rock não é hora. Este é um evento que vai nos expor muito à mídia, às gravadoras... Depois tomaremos uma decisão, seja ela de segurar o CD mais um pouco ou de assinar um puta contrato ou de lançar com selo independente. Depois do Abril Pro Rock vamos ver como as coisas vão ficar num futuro a curto/médio prazo. Ao longo prazo é continuar tocando na medida do possível e se a banda não der certo, continuar tocando por prazer, sempre na medida do possível.

PUTZ - Lança um CD acústico!!!!

MARCELO CAMELO - Temos planos... várias pessoas nos pediram isso também. A versão acústica agradou bastante.

PUTZ - Ok, acabou. Mande uma mensagem final, feche a entrevista.

MARCELO CAMELO - Agora o Rio teve uma baixa pesada de fanzine, o PPZ que acabou e era o melhor daqui do Rio. Fazer um zine dá um trabalho FDP, fanzine é uma peça fundamental e importante na engrenagem do underground. A banda não vive sem o zine!