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Matérias de revista e jornal

Revista Showbizz (Agosto/99)

Pau e Poesia - Los Hermanos estreiam em disco misturando hardcore com samba-canção

     O amor é lindo como o Rio, poético como Noel Rosa e forte como o hardcore. Pelo menos segundo a definição sonora do Los Hermanos. Misturando samba-canção com pauleira, esses cinco cariocas estão cumprindo com louvor a difícil tarefa de inovar musicalmente numa época em que (quase) tudo parece já ter sido feito. Sem medo de parecer brega nem vergonha de dizer o quanto dói tomar um pé na bunda, eles apostam na colagem de estilos e de épocas para criar um som insólito e autêntico. "Modernidade é estar um passo à frente ou dois atrás", acredita o baixista Bruno Medina.

     A banda ainda está meio atordoada com a repercussão bola-de-neve que conseguiu no festival Abril pro Rock deste ano.

     "Quando subimos no palco de terno e começamos a tocar hardcore que fala de amor com teclado, saxofone, flauta transversa e tamborim, o público olhou com cara de 'que p*** é essa?'. Mas na segunda música já estava todo mundo curtindo amarradão", lembra Marcelo Camelo, vocalista e principal compositor do quinteto.

     Do palco do Abril pro Rock eles foram direto pro estúdio. Gravaram sons antigos, compuseram novas faixas, chamaram Roger, do Ultraje a Rigor, para uma palinha na música "Bárbara" e arremataram com a produção de Rafael Ramos, do Baba Cósmica. "Se nós pegássemos um produtor de rock, ele iria deixar de lado outros aspectos importantes da banda. A mesma coisa aconteceria se a gente usasse um produtor de samba. O Rafael consegue englobar tudo isso", explica Marcelo. O resultado dessa parceria chega às lojas este mês, provavelmente com o nome de "Azedume", que também batiza uma das faixas.

     Os cinco Hermanos estão felizes da vida com todo o burburinho em torno da banda, mas não têm grandes planos para o futuro. "Nós conseguimos tudo isso em pouco tempo e com pouco esforço, se compararmos com outras bandas. Se a gente não durar, tudo bem. Estamos nos divertindo muito. Chegar ao estúdio e ver o Roger cantando uma música que escrevi no meu quarto já faz tudo valer a pena", diz Marcelo. "Sinceramente, eu acho muito louco as pessoas gostarem desses arranjos malucos que a gente coloca nas nossas músicas", confessa.