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Matérias de revista e jornal

Site Aqui! (Maio/99)

     O sujeito é novo na cidade e vai a uma casa de shows mambembe, onde nessa noite, dentre uma pá de bandas, apresenta-se o "Los Hermanos". Curioso o sujeito pergunta para as pessoas, quem são? O que tocam??? "hardcore! E falam de amor", como isso é possível indaga o sujeito? Só vendo para crer...

     A banda entra no palco: O baterista é um sujeito barbudo que entra rindo e some atrás de seu instrumento, em seguida um baixista que usa máscara, sandália e meia. Por fim, alto, de terno e calça larga e pinta de galã o guitarrista/vocalista. Êpa! Não é só isso! Em seguida entra outro sujeito de terno, chapéu e cavanhaque stalinista, trazendo uma flauta transversa e um tamborim (?!?), em seguida, de gravata, um saxofonista e de costeletas e suspensórios, um tecladista. Para quem não conhece bizarro, no mínimo bizarro...

     Quem têm acompanhado a mídia musical nos últimos meses sabe quem são os Los Hermanos e do que eles são capazes. Hardcore é pouco! A banda é isso e muito mais! Com ritmo e formação única eles se apresentaram no Abril Pro Rock deste ano, fazendo o melhor show do festival e garantindo seu espaço no rock brasileiro do ano dois mil. Precipitado? Uma semana após o festival, a banda recebeu uma irrecusável proposta de contrato da Abril Music. Se confirmada, o CD sai no segundo semestre, antes do Natal. O primeiro produtor indicado foi um velho amigo do pessoal da banda, Rafael Ramos (apresentador do Quiz MTV e vocalista do Baba Cósmica), que já tentou contratar a banda para seu selo independente, a Tamborete Entertainment. No entanto a banda procura mais alguém pois "apesar da experiência do Rafael, não vão deixar de ser sete moleques produzindo um disco" confessa Alex Werner, o empresário da banda.

     A banda formou-se a pouco mais de um ano. Marcelo Camelo, o vocalista/guitarrista, junto de Alex Werner editava um fanzine chamado Doostraw. No entanto acabaram abandonando a atividade pelo pouco reconhecimento desta. Camelo então formou uma banda com seus melhores amigos e Alex, que não tocava nenhum instrumento mas que cuidava dos contatos do Doostraw, acabou naturalmente assumindo a posição de empresário. A banda gravou no decorrer de 98 "Amor e Folia" e "Chora", duas fitas, cada uma com cinco sons! Ambas logo tornaram-se hits do underground carioca. Não havia um ouvinte que não se emocionasse com músicas como "Quem Sabe" (que têm uma parada na musica para um grito, que nos shows vira coro: "Quem sabe o que é ter e perder alguém"???) ou "Eu te Dei".

     O saxofonista Carlos Jazzmovich deixou a banda no fim do ano passado, mas voltou a fazer participações especiais em alguns shows. Sua presença na gravação da Abril Music ainda é indefinida. Os fãs torcem para que o sax role.

     O som segundo o próprio Camelo "A primeira vista é hardcore, depois quando você ouve com calma, observa e entende, vê que é um pouco mais que hardcore. É também hardcore". A formação pouco comum deve-se ao fato de que os integrantes foram entrando na banda por serem amigos, não importando os instrumentos, não foi uma banda exatamente planejada, mas sim uma banda moldada pelas peculiaridades de cada integrante. O tecladista Bruno Medina confessa que o que faz é "algo inédito", uma vez que nunca ouviu teclado numa banda de hardcore. O sax é algo mais melódico, que acompanha a música e em alguns momentos faz dueto com o teclado, raramente faz naipe, não é um sax de ska, é bem mais jazz. O tamborim é surpreendentemente hardcore. No Abril Pro Rock, o tamborim voltou para casa furado: no furor do show, Amarante (segunda voz, tamborim e flauta) atravessou o pobre instrumento.

     As letras merecem um estudo à parte. São letras românticas, para alguns bregas. Mas muito inteligentes, há espaço para amores utópicos, assim como há espaço, para desilusão, raiva, desprezo, tristeza e alegria. Questionado a respeito das várias interpretações do romantismo da banda, Marcelo Camelo responde: "Nada que eu escrevo é uma ironia, uma paródia de mim mesmo... não é para as pessoas rirem, acharem engraçado... escrevo letras que remetem a coisas, sentimentos... É tudo baseado em sentimentos reais... um sentimento real pode vir de uma planta, de um relacionamento ou de um filme... de um vento... de uma temperatura... de um olhar... de uma camisa..."

     Com um CD dos Hermanos na praça, teremos a prova de que ainda existe coisa boa e original que se preste no país. Só depende de boa produção, distribuição e trabalho. O potencial é grande e a banda é muito dinâmica, numa musica Amarante assume a guitarra e em algumas a primeira voz. Camelo está estudando trombone, instrumento com que se identifica bastante, "se der certo, daqui a um ano a formação do Hermanos pode ser outra"... Quem Sabe?